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Loulé: O Mundo inteiro cabe no Med
O centro de Loulé volta a receber o festival Med, no que promete ser uma das mais interessantes edições da sua história. Femi Kuti, Vieux Farka Touré e Amparo Sanchéz actuam esta noite.
De 23 a 26 de Junho, o Festival Med, que cumpre este ano a sua 7ª edição, instala-se nas vielas do centro histórico de Loulé, fazendo ecoar pela cidade música, literalmente, do Mundo.
Idealizado como celebração das músicas e culturas mediterrânicas, há muito que o seu conceito se ampliou, englobando sons de outras paragens.
A música é sempre o chamariz principal, mas a oferta cultural é completada com gastronomia, artesanato, artes plásticas (destaque para uma exposição de José de Guimarães), teatro e animação de rua.
Este ano, na primeira noite de concertos destacam-se dois filhos de reis da música africana, que valem por si, para além do apelido sonante.
No palco Matriz às 22.45 actua o nigeriano Femi Kuti, filho mais velho de Fela Kuti, que cruza a herança afro-beat do pai, com jazz e hip-hop. A sua música é festiva e assenta em letras de forte cariz político e social, cumprindo a tradição africana de que se pensa melhor a dançar.
Vieux Farka Touré é um exímio guitarrista, a quem o pai Ali Farka Touré não quis dar a bênção musical no início de carreira, por julgar que o filho merecia um destino melhor do que as agruras da vida de músico. Apadrinhado pelo mestre da kora Toumani Diabaté, conseguiu cumprir a sua vocação, e assegurou a participação do pai nos seus projectos pouco antes da sua morte. Herdeiro directo dos blues maliano do pai, funde-os com rock, reggae, dub, funk, numa celebração sem fronteiras da música. A ver no palco Cerca à meia-noite.
Amparo Sanchez apresenta “Tucson-Habana”
Depois do son mestizo vibrante dos Amparanoia (que já passaram pelo Med), a espanhola Amparo Sanchez estreia-se agora em nome próprio no palco Cerca às 21.45, com sonoridades divididas entre Cuba e os EUA, na apresentação do seu álbum “Tucson-Habana”.
Destaque ainda para Zeca Medeiros no palco Castelo às 21.30, cantautor açoriano conhecido pela sua voz imponente, e por contar histórias em forma de canções.
Isto só na primeira noite. No dia seguinte sobem aos palcos do Med a fanfarra balcânica de Goran Bregovic, aliado musical de Emir Kusturika nas bandas sonoras dos seus filmes e o garage rock muito particular de King Khan (dia 24).
No dia 25 actua a imperdível banda senegalesa Orchestra Baobab, um dos grandes destaques do festival, as gaitas e polifonias dos portugueses Galandum Galandaina e a fusão magrebina dos Watcha Clan
A fechar, o surf rock dos israelitas Boom-Pam (dia 26).
Saúda-se a forte e saudável aposta em diversos projectos da actual música portuguesa, desde Mazgani (24), os 3 Pianos, de Burmester, Laginha e Sassetti (25) ou Orelha Negra (26).
O programa completo pode ser consultado aqui na página do festival.
Fonte: Observatório do Algarve
Posted at 2010/06/23